Propagandas Mini Games Tectoy

Em uma frase, os Mini Games eram pequenas máquinas com tela LCD, poucos botões e uma única experiência de jogo.

No Brasil, a Tectoy comercializou uma linha baseada nos portáteis da americana Tiger Electronics, reunindo personagens e franquias como Sonic, Disney, Mônica, Simpsons, Mortal Kombat, Senninha e até Sapo Xulé.

E é justamente aí que a publicidade fica interessante: com tão pouco espaço para mostrar na tela, as propagandas precisavam vender uma experiência muito maior do que o aparelho conseguia apresentar…

No acervo do GameAds, os registros de Mini Games da Tectoy se concentram na primeira metade da década de 1990. Nesse período, revistas e comerciais exploraram personagens conhecidos, situações do cotidiano, imaginação e até algumas provocações para transformar aquelas pequenas telas em grandes aventuras!

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Uma coleção inteira em duas páginas

Propaganda Mini Games Tec Toy - Ação Games 08 - 1991

Um dos melhores exemplos para entender os Mini Games aparece em uma propaganda publicada na Ação Games nº 8, de 1991. Afinal, ela funciona muito bem como ponto de partida porque apresenta, de uma só vez, a proposta da linha!

O anúncio de página dupla explica rapidamente o produto e já mostra a variedade disponível: são 33 títulos diferentes, com personagens como Mega Man, Mônica e Cebolinha.

A variedade, aliás, era um dos grandes atrativos dos Mini Games. A tecnologia podia ser simples, mas as possibilidades de temas eram enormes… E a publicidade sabia muito bem como aproveitar isso.

Quando a propaganda também entrava no jogo

Ainda em 1991, duas propagandas chamam atenção pela semelhança visual: uma do Mini Game da Turma da Mônica e outra de Disney.

Apesar de apresentarem franquias e empresas diferentes, as duas utilizam uma estrutura praticamente idêntica: título em destaque dentro de um balão, cores fortes e uma composição que lembra páginas de histórias em quadrinhos.

Nos comerciais de televisão, a estratégia era outra.

Um deles leva o Mini Game a uma situação bastante improvável: o espaço sideral. Um astronauta aparece jogando enquanto a campanha apresenta o produto como algo que poderia acompanhar o jogador em qualquer lugar.

No final, a associação com o Master System reforça ainda mais a ideia de ter aqueles personagens e jogos “na palma da mão”.

Já outro comercial abandona o astronauta e vai para situações muito mais próximas do público. Esperar o ônibus, por exemplo, vira uma oportunidade para tirar o tédio com um Mini Game!

Pequenos no tamanho, grandes nas aventuras

Em 1992, essa ideia aparece de outra maneira nas propagandas da Ação Games e da SuperGame, com uma frase bastante curiosa: “os pequenos grandes jogos da Tectoy”.

Os anúncios descreviam cenários e personagens relacionados a cada título para construir uma aventura ao redor do produto. Em outras palavras, a publicidade fazia algo essencial pelos Mini Games: preenchia com imaginação aquilo que a pequena tela LCD não conseguia mostrar.

Propaganda Mini Game dos Simpsons - SuperGame 17 - 1992

Isso fica ainda mais claro em uma propaganda do Mini Game de Os Simpsons, publicada na SuperGame em 1992.

Além de mostrar o aparelho em relação ao tamanho da revista, o anúncio explica toda a situação do jogo e apresenta seus elementos como se estivéssemos diante de uma aventura muito mais complexa: são nove níveis de dificuldade, efeitos sonoros e até música relacionada ao seriado.

Ou seja, a tela podia ser pequena e estática, mas a história contada pela propaganda, não!

Personagens maiores que a própria tela

Em 1993, a variedade continua sendo um dos principais argumentos.

Propaganda Mini Game - Ação Games 48 - 1993

Uma das propagandas reúne personagens da Disney e dos Looney Tunes na mesma peça, algo que chama atenção justamente pela combinação de universos diferentes.

Outros anúncios seguem apostando em vários títulos apresentados de uma só vez.

E aqui aparece uma das coisas mais interessantes dessa publicidade: ela não tinha medo de exagerar na maneira de apresentar os Mini Games. Uma das peças traz o aviso:

“Atenção. Pessoas sensíveis à violência, altas velocidades e emoções fortes. Favor virar a página.”

A propaganda faz aqueles pequenos aparelhos parecerem muito maiores do que a própria tela deixava imaginar…

Senninha, Mortal Kombat e mais!

Em 1994, a linha ainda aparece em diferentes formatos e com personagens bastante variados.

Propaganda Senninha Mini Game - Ação Games 55 - 1994

Um dos anúncios apresenta o Senninha, personagem que também ganhou um Mini Game naquele período. A propaganda foi publicada na Ação Games de março de 1994, poucas semanas antes da morte de Ayrton Senna, em 1º de maio daquele ano…

Outro caso completamente diferente é o Mini Game de Mortal Kombat.

O comercial de 1994 brinca com a ideia de que Mortal Kombat era algo que as crianças não deveriam estar jogando. A personagem fala o nome do jogo quase em segredo, reforçando justamente essa imagem de algo proibido.

Em vez de tentar esconder a fama de jogo violento, a propaganda usa isso a seu favor!

Já o comercial do Mini Game Sonic 3, também de 1994, traz uma curiosidade.

Diferente de boa parte dos comerciais da Tectoy, esse parece ser uma produção estrangeira, principalmente pela dublagem dos personagens. No final, porém, o produto aparece com a identidade da Tectoy, deixando claro que a peça também foi adaptada para o mercado brasileiro.

Entre 1991 e 1994, a publicidade dos Mini Games da Tectoy passou por diferentes personagens, franquias e estilos de campanha, de Sonic e Disney a Mônica, Senninha, Sapo Xulé e Mortal Kombat.

O levantamento ainda pode crescer. Se você tiver alguma propaganda de Mini Game da Tectoy que não aparece por aqui, entre em contato. Ela pode fazer parte do acervo do GameAds, sempre com os devidos créditos.

 

Vitor Augusto

Publicitário e criador do GameAds, Vitor trabalha há mais de 10 anos nas áreas de marketing e comunicação. Desde 2017, pesquisa e reúne propagandas de videogames que ajudam a contar a história dos games no Brasil. Atualmente, vive no Canadá.

GameAds? É jogo de tigrinho?

O GameAds nasceu de um TCC sobre Advergames, no curso de Publicidade e Propaganda, e desde 2017 reúne e preserva a história da publicidade gamer no Brasil.

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