Conheça a coleção de quatro livros que nasceu do acervo do GameAds em parceria com a Editora Europa e reúne anúncios de videogames publicados no Brasil entre 1980 e 2009.
O GameAds nasceu em 2017 com a ideia de reunir e preservar a publicidade brasileira de videogames. Desde então, o site e as redes sociais vêm reunindo anúncios de revistas, comerciais de TV e internet, além de diferentes materiais promocionais.
Depois de A Propaganda Gamer: Anúncios Clássicos, publicado pela Editora Europa em 2021, veio um projeto ainda maior: A História da Publicidade nos Videogames, uma coleção de quatro volumes que reúne propagandas brasileiras publicadas entre 1980 e 2009.
No total, são 700 propagandas, distribuídas ao longo de quatro livros e três décadas de publicidade de videogames no Brasil.
E, agora que a coleção está completa, chegou a hora de olhar para ela como um todo!
Organizando a publicidade de videogames
A ideia inicial era reunir o material em três volumes, seguindo as décadas: anos 80, anos 90 e anos 2000. Só que, conforme a seleção avançou, ficou claro que os anos 1990 tinham material demais para caber em apenas um livro. Por isso, o período acabou dividido em dois volumes.
O resultado ficou assim:
- Volume 1 — 1980–1989: 100 propagandas, 132 páginas
- Volume 2 — 1990–1994: 200 propagandas, 204 páginas
- Volume 3 — 1995–1999: 200 propagandas, 204 páginas
- Volume 4 — 2000–2009: 200 propagandas, 206 páginas
No total, são 700 anúncios reunidos em quatro volumes! Formato: 16 × 23 cm, capa dura.
Uma viagem em 3 décadas de propagandas
Uma das coisas que mais gosto nesses livros é justamente a maneira como eles podem ser explorados.
Cada página apresenta uma peça publicitária (em alguns casos, uma página dupla). Os textos de contextualização aparecem no final dos volumes, reunindo informações sobre períodos, anúncios específicos, campanhas ou conjuntos de materiais.
Você pode simplesmente abrir o livro em qualquer página e começar a olhar. Pode seguir cronologicamente ou parar em uma peça específica porque ela trouxe alguma lembrança.
E acho que esse é um dos pontos mais legais da coleção: não é um livro que você necessariamente lê do começo ao fim, mas sim um material que você explora página por página.
Anos 1980: quando videogames e computadores dividiam espaço
Os anos 1980 foram, de certa forma, o período mais complexo de encontrar e organizar… Não porque faltassem materiais interessantes, mas porque os videogames ainda estavam começando a aparecer de maneira mais estruturada na publicidade brasileira. Ao mesmo tempo, os computadores pessoais estavam ganhando espaço e acabavam dividindo esse território com os videogames.
É curioso perceber como os jogos apareciam nos anúncios de computadores: em muitos casos, a máquina era apresentada principalmente como uma ferramenta para trabalho, estudos ou outras atividades. Os jogos entravam na comunicação como mais um APLICATIVO: você tinha um computador que fazia várias coisas e, entre elas, também podia jogar.
E tem bastante coisa para encontrar por aqui: Atari, Dynavision, Expert, Intellivision, Odyssey, Onyx e os microcomputadores aparecem ao longo do volume.
1990–1994: clones, Tec Toy e a chegada da Nintendo
Se os anos 1980 mostram um mercado ainda em formação, o começo dos anos 1990 já apresenta uma mudança enorme.
É também o período em que as revistas especializadas em videogames começam a ganhar força. E isso significa uma coisa muito importante para quem pesquisa publicidade: mais revistas significam mais material para encontrar!
A primeira metade dos anos 1990 é especialmente interessante por causa da quantidade de peças de consoles e, principalmente, de clones de Nintendo.
Dynavision, BITSystem, Hi-Top e outros aparelhos aparecem nesse período, antes da chegada oficial da Nintendo ao Brasil. Na sequência, entram também a comunicação oficial da Nintendo e uma quantidade enorme de anúncios da Tec Toy.
São 200 propagandas neste volume, e aparecem peças que ajudam a registrar produtos que não tiveram uma presença oficial tão forte no país.
Por exemplo, Jaguar e Panasonic (3DO): como essas marcas não tinham necessariamente a mesma estrutura de comunicação oficial por aqui, os anúncios de lojas acabam se tornando fontes importantes para entender que esses produtos também estavam presentes no mercado brasileiro.
1995–1999: a explosão dos jogos para PC
Chegamos à segunda metade da década e a quantidade de coisas acontecendo aumenta ainda mais!
Neo Geo, Sega Saturn, Dreamcast, Super Nintendo, Mega Drive, Nintendo 64 e PC dividem espaço nas páginas.
E é aqui que a publicidade de jogos para computador ganha um espaço enorme na coleção. Revistas como CD Expert e outras publicações que acompanhavam a popularização do CD-ROM traziam muitos anúncios de jogos para PC.
É uma diferença interessante em relação ao primeiro volume: nos anos 80, era comum encontrar os jogos apresentados em listas, como parte das possibilidades de um computador ou em catálogos. Agora, eles começam a ganhar propagandas próprias, com espaço, identidade visual e campanhas específicas.
Além disso, produtos licenciados, lojas, brinquedos, consoles e acessórios aparecem misturados às propagandas de videogames. Nintendo, Nintendo 64, Super Nintendo, Game Boy, Zelda, Neo Geo e tantos outros passam pelas páginas.
Até o PlayStation aparece nesse contexto por meio de anúncios de lojas! A Sony ainda teria sua comunicação oficial no Brasil mais tarde, mas os anúncios de varejistas ajudam a mostrar que o PlayStation já fazia parte do mercado brasileiro antes disso.
E é justamente aí que eu acho que a publicidade se torna um registro histórico tão interessante.
Anos 2000: consoles, internet e jogos para celular
O último volume fecha a coleção chegando a uma época em que os videogames já estavam completamente estabelecidos: GameCube, Nintendo DS, PlayStation 2 e muitos outros produtos aparecem por aqui.
Mas uma das coisas mais interessantes dos anos 2000 é perceber que os videogames começam a sair ainda mais do lugar tradicional dos consoles.
Um exemplo muito claro são os jogos para celulares! Na época, comprar um jogo podia significar mandar um SMS com uma palavra-chave para receber ou baixar o conteúdo. Hoje parece uma coisa distante, mas essas peças são um registro muito interessante de como funcionava esse mercado.
Também aparecem por aqui marcas e fenômenos que marcaram a década: Tectoy, Level Up, Nextel, campanhas contra a pirataria e muitos outros.
Entre as últimas propagandas está um anúncio do Walmart vendendo PlayStation 3, Xbox 360 e até o Zeebo.
É quase como fechar uma viagem no tempo, em 30 anos de publicidade!
Um projeto em quatro volumes
Depois de tantos anos reunindo anúncios para o acervo do GameAds, ver parte desse material organizada em quatro livros é algo que me deixa muito honrado e feliz!
Agradeço novamente ao Humberto Martinez e à Editora Europa pela confiança e pelas oportunidades!
Se você gosta de videogames, publicidade ou simplesmente de descobrir como os games eram apresentados no Brasil em diferentes épocas, vale a pena conhecer a coleção.
A História da Publicidade nos Videogames está disponível na loja da Editora Europa. O link abaixo é para quem quer adquirir a coleção completa, com desconto!
Texto atualizado em agosto de 2026

Vitor Augusto
Publicitário e criador do GameAds, Vitor trabalha há mais de 10 anos nas áreas de marketing e comunicação. Desde 2017, pesquisa e reúne propagandas de videogames que ajudam a contar a história dos games no Brasil. Atualmente, vive no Canadá.
GameAds? É jogo de tigrinho?
O GameAds nasceu de um TCC sobre Advergames, no curso de Publicidade e Propaganda, e desde 2017 reúne e preserva a história da publicidade gamer no Brasil.
Um acervo histórico de comerciais, propagandas e memórias que marcaram diferentes gerações de jogadores até os dias atuais. Entre, explore o acervo e relembre essa história. Boa viagem!

